Flora e Vegetação das Zonas Altas da Madeira
A flora e vegetação da Madeira são exuberantes e diversificadas.
As zonas altas da Ilha da Madeira apresentam habitats naturais específicos.
A recuperação do seu coberto vegetal contribuirá significativamente
para a conservação da ave endémica muito rara: Freira da
Madeira (Pterodroma madeira).
As características geofísicas e edafoclimáticas da Madeira
e a sua localização geográfica possibilitam a existência
de grande número de habitats, de espécies e de tipos de vegetação
associados.
Estão descritas para a Ilha da Madeira 18 classes de vegetação,
que incluem 39 associações e comunidades. Nesta ilha diferenciam-se
andares de vegetação estratificados por altitudes, relacionados
com a variação de situações climáticas.
O coberto vegetal das zonas altas, também conhecido por vegetação
de altitude, predomina acima dos 1300 m de altitude e caracteriza-se pela presença
de várias plantas endémicas (específicas) da Madeira, com
destaque para: Violeta da Madeira, paradoxalmente uma violeta de flores
amarelas; Arméria da Madeira, planta emblemática dos nossos
Picos, com delicadas flores rosadas, tal como as flores da Orquídea
das rochas e da Urze-rasteira; a diminuta Erva-arroz; a peculiar
leguminosa (Anthyllis lemanniana) e a exclusivíssima gramínea
(Parafestuca albida) cujo género (Parafestuca) é
endémico da Madeira.
Estas plantas aparentemente frágeis mas de singular resistência,
têm a capacidade de sobreviver nas reduzidas fissuras das rochas, encontrando-se
perfeitamente adaptadas, a um clima rigoroso, com grandes amplitudes térmicas
e ventos intensos. Outras plantas de semelhante importância científica,
mas cuja área de ocorrência se alarga à Macaronésia
(Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), e por tal são
designadas de endemismos macaronésicos, também estão presentes.
Destas relevamos a Douradinha, que embora se encontre associada à
Laurissilva (floresta indígena), existe nas zonas montanhosas de altitude
e parece convidar a Freira da Madeira a visitá-la.
Neste coberto vegetal integram-se plantas mais pequenas (fetos, musgos, algas),
líquenes, fungos e outros seres vivos, por vezes de reduzidas dimensões,
que contribuem fortemente para o equilíbrio destas comunidades. Os líquenes
e os musgos, apresentam uma função relevante no que respeita à
criação de condições que venham a permitir a colonização
futura por parte de outros organismos, inclusive de animais.
Do ponto de vista da fitossociologia (estudo das associações de
plantas), a vegetação de altitude compreende várias classes
de vegetação, com destaque para Argyranthemo montanae-Ericetum
maderensis (onde se inclui a Urze-rasteira) e Armerio maderensis-Parafestucetum
albidae (onde se inclui a Arméria da Madeira e a Parafestuca albida).
Os habitats naturais das zonas altas da Ilha da Madeira compreendem plantas
que desempenham um papel muito importante na captação de água
através da pluviosidade oculta (até 3,5 vezes o valor da precipitação)
e que são vitais no balanço hídrico do meio, para além
de contribuírem para a fixação do solo, combatendo a erosão.
É nas zonas montanhosas de altitude, onde existem habitats naturais e
o solo não se encontra degradado, ou seja onde predomina a vegetação
indígena e principalmente endémica, que a Freira da Madeira (Pterodroma
madeira) nidifica. Embora seja uma ave marinha que se alimenta no mar, é
nas montanhas que vive a maior parte do tempo, acasala e se procria. A conservação
desta ave depende directamente do estado de conservação do coberto
vegetal do meio e das áreas envolventes.
O livre pastoreio, o abate de árvores e arbustos, e a ocorrência
de fogos florestais contribuíram para o avanço do processo erosivo,
originando áreas desprovidas de vegetação ou com coberto
vegetal alterado.
Devido à degradação da flora e vegetação
de algumas áreas das zonas altas da Ilha da Madeira, o projecto em curso:
"Conservação da Freira da Madeira através da recuperação
do seu habitat", contempla várias acções que pretendem
aumentar a cobertura da vegetação indígena em 15% e a abundância
e cobertura das espécies endémicas em 30%. Para tal estão
sendo implementadas medidas de conservação da flora, quer in
situ (no local) quer ex situ (fora do local), com a colaboração
de várias entidades regionais, nacionais e estrangeiras.
Mais informação sobre a peculiar flora e vegetação
das zonas altas da Madeira, poderá ser obtida no Centro de Informação
para a Conservação da Natureza (CICNA) do Parque Natural da Madeira.
Respeitar para conservar
Respeitar a natureza, e em particular as plantas das zonas altas da Madeira,
é um dos principais passos no processo de conservação,
que requer o envolvimento de todos, começando na atitude de cada um.
Presentemente centenas de pessoas procuram ambientes naturais para actividades
de lazer, desde o simples passeio até à prática de desportos.
Na maioria destes locais a natureza é frágil e precisa de ser
tratada com cautela. Nestas áreas é impossível realizar
trabalhos de limpeza e protecção da forma como acontece nos centros
urbanos. A sua preservação depende muito do comportamento dos
visitantes. O impacto da poluição e da degradação
dos habitats pode ser evitado. Basta ter atitudes que ajudam a proteger o meio
ambiente, dão mais prazer à visita e previnem acidentes, que em
lugares isolados podem ter consequências graves. Adoptando uma conduta
consciente garantimos a salvaguarda do património natural e da biodiversidade.
Conduta consciente em ambientes naturais e em especial nas montanhas:
- Planificar o passeio
- Considerar a segurança
- Cuidar dos trilhos
- Trazer o lixo de volta
- Não colher plantas, nem animais
- Não fazer fogueiras
- Respeitar os seres vivos
- Ser amável
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