Desenvolvimento da Agricultura Biológica em Áreas Agrícolas no Interior do Parque Natural da Madeira

Conscientes dos benefícios do modo de produção biológico para a conservação da Natureza e preservação do ambiente bem como para a saúde dos consumidores, iniciou-se em 1995 na Região Autónoma da Madeira (RAM) a divulgação desta actividade.

Estiveram envolvidos desde então a Associação de Jovens Agricultores da Madeira e Porto Santo (AJAMPS), o Parque Natural da Madeira (PNM) e a Direcção Regional de Agricultura (D.R.A.).  

A AJAMPS até 2001, assumiu o protagonismo do projecto, desempenhando um papel fundamental, quer a nível da formação, quer da assistência técnica. Foi também esta associação que despoletou todo o processo de certificação. 

O Parque Natural da Madeira assumiu a divulgação junto das escolas e da população em geral, organizando várias exposições, palestras e uma horta biológica. Até à criação da Missão para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica disponibilizou um técnico para formação nos cursos de Jovens Empresários Agrícolas, assegurou a assistência técnica aos agricultores localizados no interior do PNM, elaborou uma exposição sobre o tema “Agricultura Biológica e Desenvolvimento Rural” no Centro de Informação da Conservação da Natureza (CICNA), com várias conferências sobre o tema. É também neste centro que se executa e divulga a compostagem, bem como outras técnicas alternativas.

A Direcção Regional de Agricultura financiou este projecto de 1995 até 2001, para além de todo o apoio institucional através dos serviços da D.S.A.I.C.A. (Direcção dos Serviços de Agro-Indústria e Comércio Agrícola).

Em 2001, a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais (SRA) ao pretender implementar de forma decisiva este modo de produção na RAM, criou no seu gabinete a Missão para o Desenvolvimento da Agricultura Biológica.Desde esta data, tem havido um estreito diálogo com a referida Missão que tem como objectivo aumentar a área de Agricultura Biológica dentro do Parque Natural da Madeira.

Condições favoráveis ao desenvolvimento deste projecto.

Devido às características orográficas da Ilha nunca foi possível implementar na Madeira uma agricultura intensiva, com regimes de monocultura.

Existe portanto uma biodiversidade elevada quer de culturas instaladas quer de vegetação natural. Pratica-se uma agricultura de subsistência e tradicional, recorrendo ainda a técnicas antigas,o que vem ao encontro do modo de produção biológico.

As características climáticas permitem produzir uma grande variedade de hortícolas  e frutos tropicais ao ar livre durante todo o ano. A população de auxiliares autóctones e exóticos é elevada.  

A floresta Laurissilva, classificada como Património Natural Mundial da UNESCO, reveste quase 16% da Ilha (15000 ha), constituindo um ecossistema em perfeito equilíbrio, capaz de sustentar as áreas adjacentes com ar puro, água permanente, solo fértil, terra firme e uma preciosa população de auxiliares. 

A  agricultura biológica é, sem duvida, a alternativa para a manutenção dos agrossistemas tradicionais, permitindo melhorar os rendimentos das populações e sendo capaz de suscitar uma nova dinâmica social quando integrada em zonas de elevado valor cultural. Criam-se, assim, condições ideais para a afluência de turismo, harmonizando-se o desenvolvimento com a conservação da natureza, proporcionando às populações residentes o privilégio de se integrarem nessas zonas.


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Última actualização em: 2025-05-19