Existirão Animais Maus????
Claro que não!!!!
Nestas páginas irão perceber que não existem animais maus
mas colocados nos sítios errados.
A conquista das áreas geográficas da Terra pelo Homem foi acompanhada
pela introdução (acidental ou intencional) de espécies
de animais e plantas, cujos efeitos foram rápidos e por vezes nefastos.
Se o Homem continuar a destruir os ecossistemas com a rapidez com que o tem
vindo a fazer, a taxa de extinção e a proporção
de espécies extintas serão, num futuro próximo, da mesma
ordem de grandeza que as de algumas grandes extinções do passado,
como a que ocorreu no fim do período Cretácico.
Uma das principais causas e consequências da extinção é
a introdução de espécies exóticas, ou seja, espécies
que não são naturais desse local.
Cerca de 18% das extinções, desde o séc. XVII, devem-se
à introdução destas espécies. Por vezes, essa introdução
foi deliberada e noutros casos o Homem apenas facilitou o transporte (ratazanas,
insectos, animais marinhos transportados na água que serve de lastro
aos navios, etc.).
As invasões e as introduções afectam todo o planeta: no
Hawaii há cerca de 4600 espécies de plantas exóticas (3
vezes mais do que o número de plantas nativas) e cerca de 40 espécies
endémicas de aves foram aniquiladas pelos primeiros colonizadores humanos,
muito antes da chegada dos Europeus; no Massachusetts mais de metade das espécies
de peixe de água doce são exóticas; no lago Victória
em África existiam mais de 300 espécies de peixes Ciclídeos
endémicos, das quais 200 já desapareceram desde a introdução
deliberada em 1960, de um peixe predador Lates niloticus.
As ilhas sempre foram particularmente vulneráveis às introduções
de espécies. A maioria das extinções de aves ocorreu em
ilhas e isto torna-se particularmente grave, se tivermos em conta que 20% das
aves de todo o Mundo ocorre em ilhas. A extinção de aves insulares
é muito maior do as continentais e quanto menor for a ilha, maior o risco
de extinção, estando estimado que três quartos das extinções
insulares ocorrem em ilhas de menores dimensões.
Grande parte das espécies exóticas que causam problemas são
predadores ou herbívoros. No caso dos predadores, as ratazanas Rattus
introduzidas involuntariamente em cerca de 80% das ilhas oceânicas, contribuíram
para a extinção de pelo menos 31 espécies de aves. Quanto
aos herbívoros, não só contribuem para a extinção
da fauna, como ameaçam a flora endémica das ilhas.
Este problema também atinge o nosso arquipélago e uma das espécies
que está a ser "vitimada" é a Freira da Madeira, Pterodroma
madeira, a ave marinha mais ameaçada de toda a Europa e provavelmente
de todo o Mundo. Esta ameaça faz-se sentir nas zonas altas da Madeira,
local onde nidifica esta ave.
Para tal, contribuem grandemente os ratos e os gatos, predadores de ovos, juvenis
e adultos da Freira, respectivamente. Muito provavelmente, estes predadores
deslocam-se de zonas mais baixas (floresta adjacente) para esta área,
à procura de alimento. Por isso, é necessário ter cuidado
com o lixo, fonte de alimento destes animais, nomeadamente: manter os recipientes
de lixo bem fechados, efectuar uma recolha eficaz do mesmo e evitar deitar nestas
áreas o "lixo biodegradável".
Outra ameaça presente para esta espécie são os herbívoros
introduzidos, nomeadamente as cabras e as ovelhas. Entre os 900 e 1800 metros
de altitude, área onde decorre o projecto "Conservação
da Freira da Madeira através da recuperação do seu habitat"
tem sido, ao longo dos tempos, fortemente afectada pela introdução
destes animais.
A vegetação que ocorre nesta zona (vegetação de
altitude) apresenta uma elevada taxa de endemismos que sofre uma pressão
negativa por parte destes herbívoros, podendo vir a desaparecer. Esta
destruição e degradação do coberto vegetal é,
também, agravada pelos elevados declives do solo, promovendo o aparecimento
de plantas com grande capacidade invasora, ou seja, infestantes.
Com o desaparecimento gradual da vegetação, o solo é exposto
a um grande processo erosivo, sendo arrastado pela águas de escorrência,
e consequentemente, a Freira da Madeira perde o habitat onde nidifica, pois
não consegue escavar os seus profundos ninhos na rocha. Para além
do impacto que sofrerão todos os outros animais que aí vivem,
a perenidade desta espécie é colocada em causa.
Será necessário então retirar o gado destas zonas para
que o coberto vegetal recupere e seja estabelecido um equilíbrio com
os outros seres vivos, e neste caso específico, evitar que esta ave desapareça
do nosso planeta.
PERIGO DA INTRODUÇÃO DE ANIMAIS
Determinados habitats e espécies de fauna e de flora estão gravemente
ameaçados pela introdução de espécies.
É o caso da Freira da Madeira, Pterodroma madeira, ave que ocorre
exclusivamente na Madeira e que está classificada a nível mundial
como espécie em "perigo de extinção".
A presença de animais introduzidos no seu habitat, nomeadamente: ratos,
gatos, cabras e ovelhas, representa a principal ameaça à sua conservação.
Os ratos e os gatos são predadores que atacam os ninhos desta ave e comem
os ovos, os juvenis e os adultos . No passado, chegou a haver um ataque de gatos
que dizimou mais de uma dezena de aves num único episódio. Tendo
em conta que actualmente a população da Freira ronda os 30-40
casais, torna-se evidente a necessidade de evitar catástrofes desta natureza.
As cabras e as ovelhas andam livremente na área e alimentam-se da vegetação
que lá existe. Deste modo, contribuem para o avanço do processo
erosivo do solo, originando áreas desprovidas de vegetação
ou com coberto vegetal alterado.
Recorde-se que estas plantas desempenham um papel importante na captação
de água através da pluviosidade oculta sendo vitais no balanço
hídrico do meio, para além de contribuírem para a fixação
do solo, combatendo o desgaste do mesmo.
A conservação da Freira da Madeira depende directamente do estado
de conservação do coberto vegetal do meio e das áreas envolventes,
visto que sem solo é impossível a ave escavar os seus ninhos.
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