Faq's Fungos
Fungos
Cogumelos
Têm informação sobre cogumelos? Quantas espécies de cogumelos existem no arquipélago da Madeira?
A resposta à questão não é fácil nem exata como à partida poderíamos esperar. Temos em primeiro lugar que esclarecer alguns pressupostos segundo os quais se baseia a resposta:
1.º O cogumelo consiste geralmente no corpo frutífero de um fungo visível macroscopicamente, enquanto que o indivíduo completo é formado ainda pelo micélio e por outras formas ou elementos diversos, aéreos e subterrâneos, que se formam durante o ciclo de vida do fungo (Calonge & Sequeira, 2010);
2.º Os taxa corresponde ao conjunto das espécies e subespécies.
Assim, de acordo com a literatura científica publicada, existem no arquipélago da Madeira cerca de 743 taxa de fungos, distribuídos pelas ilhas da seguinte forma: 738 na Madeira, 14 no Porto Santo, 4 para as Desertas e 3 para as Selvagens (Irene Melo & José Cardoso, 2008).
Existem cogumelos comestíveis na Madeira?
De acordo com Diego Calonge e Miguel Sequeira (2010) no livro “Cogumelos da Madeira - Guia para a identificação das espécies mais frequentes”, estão identificadas numerosas espécies comestíveis, de diferentes tipos, nomeadamente:
- Agaricus arvenses;
- Agaricus augustus;
- Agaricus campestres;
- Agaricus sylvaticus;
- Agaricus sylvicola;
- Agrocybe praecox;
- Albatrellus pes-caprae;
- Aleuria aurantia;
- Auricularia auricula-judae;
- Boletus edulis;
- Boletus aereus Bull.;
- Boletus aestivalis (Paulet) MFr. (= Boletus reticulatus Schaeff.);
- Boletus pinophilus Pilát & Dermek;
- Boletus erytropus;
- Cantharellus cibarius;
- Clitocybe nebularis;
- Coprinus comatus;
- Fistulina hepática;
- Hygrophoropsis aurantiaca;
- Lactarius deliciosus;
- Lepista nuda;
- Leucopaxillus giganteus;
- Lyophyllum decastes;
- Pluteus cervinus;
- Stropharia aurantiaca;
- Stropharia rugosoannula Farl.: Murrill;
- Tricholoma portentosum; etc.
Existem cogumelos venenosos na Madeira?
Segundo Diego Calonge e Miguel Sequeira (2010), na Madeira existem muitas espécies de cogumelos que se podem considerar venenosas, as quais se diferenciam também quanto ao tipo de envenenamento produzido: de período de incubação curto, com sintomas até meia hora após a ingestão; de período de incubação longo, com manifestação de sintomas com mais de seis horas após a ingestão; com outros tipos e sintomas, tais como alérgicos (Mycena pura), com sintomatologia coprínica, i.e. ocorre quando a ingestão destes cogumelos é simultânea com bebidas alcoólicas, causando distúrbios intestinais [Coprinus atramentarius (Bull.) Fr., Cuprinus romagnesianus]; ou de tipo resinoide originando diarreias [Paxillus involutus (Batsch) Fr., etc.].
Nas intoxicações com período de incubação curto, em que ocorre o aparecimento de sintomas após a ingestão, o tratamento é geralmente sintomático, fácil de aplicar e eficaz; o paciente recupera com rapidez sem maiores complicações.
Pelo contrário, quando os sintomas aparecem tardiamente, isto é, mais de seis horas após a ingestão, o tratamento pode complicar-se. No entanto se o paciente receber rapidamente tratamento médico, geralmente é possível a sua recuperação.
Assim exemplos de cogumelos venenosos de período de incubação curto existentes na Madeira temos as espécies:
- Amanita gemmata;
- Amanita muscaria;
- Amanita rubescens;
- Clitocybe dealbata (Sowerby) Gillet;
- Clitocybe phyllophila;
- Clitocybe phaeophtalma;
- Clitocybe vibecina;
- Inocybe spp (quase todas as espécies deste género);
- Helvella spp (se consumidos crus);
- Russula spp (todas as que apresentem carne de sabor picante); etc.
Exemplos de cogumelos venenosos potencialmente mortais, presentes na Madeira e que apresentam um período de incubação longo, são três espécies:
- Galerina marginata (é a mais perigosa, pois o veneno não é destruído pelo calor durante a cocção culinária, provocando a destruição do fígado do paciente);
- Gyromitra esculenta;
- Gyromitra infula (nestas duas espécies do género Gyromitra, o veneno ataca o fígado se consumidas cruas, mas desaparece no processo de secagem e no aquecimento durante a cocção).
Qual a principal regra para evitar o envenenamento por consumo de cogumelos?
Se não conhecer o cogumelo com toda a certeza e segurança não o coma!




